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Reflexões sobre a legalização do uso da maconha - Dr. Jair Escobar


 
Com relativa frequência surge, no âmbito da sociedade e com repercussões na mídia, temas referentes à área médica e, particularmente, na especialidade da psiquiatria. Compreendem-se estas abordagens na medida em que o homem está em íntima relação com o biológico, o psicológico e o social, ou seja, ele é um ser biopsicossocial. Nos últimos tempos, tem-se discutido a questão da legalização do uso da maconha. Em alguns momentos, essa discussão se intensifica e em outros arrefece. Os partidários, de um lado ou de outro, colocam suas posições e, como se fosse uma disputa esportiva ou política, destacam posições antagônicas dos “contra” ou dos “a favor”.

Pensamos que esta discussão deva ir muito além, respeitando o tripé biopsicossocial em seus diferentes vértices. A alegação, no momento, para a legalização do uso da maconha é que o Estado e a Sociedade como um todo falharam através da repressão ao uso desta droga. Compreende-se este posicionamento, pois de fato o Estado e a Sociedade não têm conseguido enfrentar este problema das drogas na sua devida dimensão. No entanto, não devemos nos açodar em tomarmos posições que, muitas vezes, podem trazer mais prejuízos do que os possíveis benefícios desejados. O Estado e a Sociedade vêm tendo dificuldades não apenas com a questão da maconha. Temos o crack, a cocaína e outras drogas sintéticas ilícitas que transitam em nosso meio social e têm sido devastadoras nos danos que causam em seus usuários e familiares. Nem por isso, sensatamente, cogitamos de legalizá-las. Sob o ponto de vista científico, sabe-se hoje muito mais a respeito das ações químicas da maconha e de suas ações no sistema nervoso central do que se sabia nos anos sessenta/setenta. Naquela época, a maconha estava muito ligada a alguns movimentos sociais pacifistas e de busca de liberdade. Quem sabe daí venha a ideia de uma droga inócua e com efeitos benéficos, confundindo-se o seu uso. O dito uso “recreativo” com aqueles que são dependentes. Estes últimos, com sérios prejuízos em seu psiquismo, que vão desde déficit cognitivo com danos escolares e laborativos importantes podendo chegar até a graves psicoses. 

Neste momento, vários questionamentos nos surgem: como o Estado fará seu controle de uso? Estado este com sérios déficits em áreas essenciais de atuação como educação, saúde e segurança. Como se dará o controle de qualidade? Para medicamentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem um grande controle de qualidade rigoroso e eficiente, que muitas vezes leva à proibição de alguns medicamentos. Ocorreria o mesmo com a maconha?

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), tradicionalmente, tem patrocinado várias campanhas de saúde pública em nosso meio, através de seu principal instrumento de contato com a sociedade, que é o conhecimento científico a serviço da saúde. A legalização da maconha é um tema extremamente complexo para ficarmos apenas em uma posição dicotômica de ser a favor ou contra. Mas, a AMRIGS tem uma posição. Ela é partidária de uma ampla e profunda discussão da sociedade e que se tragam, para esta discussão, todas as possíveis e necessárias informações de forma consistente e profundamente embasadas que permitam a tomada de uma decisão madura e séria.

Jair Escobar
Vice-presidente da AMRIGS




 
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